Unocracia – A Política da Reciprocidade

Existe um fio de ouro conduzindo a História da Humanidade. Como faremos para detectá-lo, e depois segui-lo?

 

 

“No princípio existia o Verbo;
o Verbo estava em Deus;
e o Verbo era Deus.

Nele é que estava a Vida
de tudo o que veio a existir.
E a Vida era a Luz …” Jo, 1,1-4

João, um rude pescador, convenhamos, que condições teria ele de fazer uma abordagem a respeito da origem do Universo? E afinal, quem terá? Como ninguém sabe quase nada a respeito de como as coisas eram antes do início dos tempos (dos espaços e das matérias), ele também teve o direito de arriscar sua opinião, inspirada todavia, e conseguiu em poucas palavras dizer tudo que pensava: Deus é Amor, Verbo, Vida, Luz.

Só não falou de Energia. Lógico! Nem poderia. Somente muito mais tarde, Einstein descobriu algo fantástico, que equacionou a bivalência entre Energia e Matéria-Espaço-Tempo, expressa na sua famosa fórmula E=mc².

Se o palpite de João, o pescador, estiver correto, então poderemos concluir que a Energia original do Universo era o Amor, um tipo de energia pouco convencional, não científico, exceto pelo fato dessa Energia-Amor ter se transformado neste mundo material em que vivemos.

Eis portanto algo a ser pensado seriamente, que toda a Natureza, inclusive nosso corpo material, foi formada dessa Energia Criadora, o Amor.

E se quisermos constatar a autenticidade da nossa origem amorosa, basta observar que toda Matéria que existe no Universo é fruto do seu timbre específico: os relacionamentos de RECIPROCIDADE.

Quando a Energia Pura, digamos assim, entra em processo de metamorfose, e se materializa no espaço e no tempo, essa energia se transfigura em partículas subatômicas, as quais subsistem de forma sustentável porque estão em relacionamento de reciprocidade entre si. Quarks, para citar apenas um exemplo, surgem aos pares. São eles que vão formar os Prótons, Elétrons e Nêutrons, e estes prosseguindo com o fenômeno da reciprocidade geram um novo ser, o átomo. E depois as moléculas etc.

Existe a respeito disso uma nova Ciência, a Cibernética, que estuda os fenômenos das relações de reciprocidade que existem no mundo material, e, portanto de amor entre as Partes que compõem um Todo.

Para ser bem franco, sincero e verdadeiro, o Todo que se “vê” não é de fato um Todo, mas apenas são Partes em relação de reciprocidade que aparecem como um Todo. Um átomo não é um átomo verdadeiramente! Um átomo é o que se vê da relação recíproca entre Prótons, Elétrons e Nêutrons. Não se trata de uma mistura qualquer de partículas, uma confusão caótica, mas como tudo no amor, trata-se também aqui de uma relação de reciprocidade muito bem ordenada, com cada partícula no seu devido posto, exercendo suas funções bem definidas. Um átomo é um Todo constituído de um relacionamento ordenado e organizado das Partes. Ou seja, sem reciprocidade nem sequer existiria a Matéria.

 

Enorme acelerador de partículas. Veja o Cientista em baixo numa escrivaninha.

Depois de constatar tudo isto, o que você acha agora da importância do amor recíproco?

Assim, toda a Natureza, que nasceu da energia pura do Amor, segue a tendência perene da Reciprocidade, de relacionamentos crescentes que não param nunca de se complexificar: as “Partes” geram “Todos” cada vez mais complexos, que se tornam outra vez novas “Partes” em relação para formarem um novo “Todo” maior, diferente e superior ao que existia antes da relação das “Partes”.

A escalada da Vida é a história da evolução material do amor, num processo contínuo de reciprocidade que gera Unidade entre as Partes, criando o que chamamos de Transcendência, gerando um novo Todo, que é um novo ser, o qual não existia antes da vida de reciprocidade entre as Partes. Isto é Cibernética, a Ciência da Teleo-logia, isto é, que evolui guiada por um dever ser colocado no futuro ao qual chegará no final do processo. Na caminhada evolutiva os relacionamentos vão se dando em níveis cada vez mais complexos: eletromagnéticos no início, depois físico-químicos, depois orgânicos, e finalmente sociais. E aqui é o ponto ao qual queríamos chegar.

Para onde caminha a Humanidade? Caminha para o ápice da Evolução, que é surpreendente!

Se a Energia Original, o Amor, utilizando-se do veículo da Reciprocidade desencadeia um processo de complexificação crescente das realidades materiais, com certeza existe no final da estrada da Evolução um Ideal maior a ser realizado, um “Paraíso” a ser atingido!

Amor, relação, reciprocidade, unidade, transcendência, complexificação, tudo isto existindo sem ter nenhum sentido maior? Impossível.

Energia, partículas, átomos, moléculas, células, organismos, seres vivos, animais, Homens, Sociedade Humana, todos eles com um excepcional elemento crítico em comum: a necessidade da perfeita socialidade, da formação de sociedades ordenadas, da formação de um Todo mais perfeito, com sua vida organizada no amor e na reciprocidade.

A grande questão que se coloca de forma assustadora diante de nós é a seguinte: A natureza ama sempre, porque está na sua essência o relacionamento de perfeição na reciprocidade. Eu diria que a Natureza ama sempre, porque não é livre para não amar.

Não nos esqueçamos que o ser humano, por ser livre, é um ponto fora da curva da Evolução. Portanto, seria o ser humano, que é livre para decidir amar ou não, suficientemente fiel às suas origens a ponto gerar uma sociedade lastreada no relacionamento de reciprocidade? Prevalecerá a coerência?

Na verdade, o risco disso não ocorrer é muito frequente, e se a Humanidade não seguir o procedimento padrão da Natureza, e se utilizar de prerrogativas espúrias, poderá colocar tudo a perder!

Dizem as Escrituras Bíblicas que isso já aconteceu uma vez! Pelo sim ou pelo não, se o Dilúvio foi uma metáfora ou se foi História, o fato que nos importa no momento é que existe um arsenal de bombas atômicas no mundo capaz de nos destruir centenas de vezes! (Estupidez dupla, pois basta uma só vez…).

Mesmo porque destruir é muito fácil. Difícil é construir, educar, organizar, administrar, gerenciar e sustentar, enfim, amar, ser fiel à Natureza que nos gerou e permanecer na reciprocidade.

Estamos diante do último dos desafios da História da Humanidade, diante do derradeiro salto da Evolução, da transcendência do Homem individuo para a Pessoa Social. O desafio da socialidade perfeita, fundamentada na vivência do elemento catalizador de sempre, a Reciprocidade organizada.

O sistema político capaz de realizar uma façanha de tal envergadura, que deverá ser desenvolvido por todos e cada um, e que está em plena consonância com as forças da Natureza que nos gerou, se chama Unocracia.

 

Marco Iasi

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