Sonhos, pesadelos, memórias e fantasia compõem Horizonte Submerso

Horizonte Submerso traz à cena uma linguagem híbrida de dança, teatro e música que rompe fronteiras e amplia os horizontes de alcance da obra…

 

 

 

 

 

O universo criativo do escritor Edgar Allan Poe, do artista plástico Paul Klee e do desenhista, músico e cineasta Dave McKean inspiraram o novo espetáculo da Confraria da Dança, que celebra seus 25 anos com a estreia de Horizonte Submerso, obra audiovisual que fica disponível para o público no Youtube da Confraria da Dança a partir do dia 29 de novembro de 2021, às segundas e terças, 21h, com acesso gratuito. A obra foi criada e é interpretada por Diane Ichimaru – que também assina direção artística, dramaturgia, figurino e criação das máscaras, Marcelo Rodrigues – que também assina o desenho de luz, e Esio Magalhães, ator e palhaço convidado especialmente para esse projeto. Já a composição e execução da trilha musical é do compositor, arranjador e pianista Rafael dos Santos, também convidado especial que é parceiro de longa data do grupo, tendo assinado trilha de outros espetáculos. Com a Confraria da Dança, é a primeira vez que Rafael entra em cena junto com os bailarinos.

Além da temporada, está marcado também um bate-papo com os criadores do espetáculo mediado pela atriz e encenadora Veronica Fabrini por Zoom, no dia 30 de novembro, terça-feira, 21h30. Para participar, basta se inscrever por meio deste link. Veronica Fabrini é mestre em Artes pela UNICAMP, Doutora em Artes Cênicas pela USP, com pós-doutorado em Filosofia na Universidade de Lisboa. É professora do Instituto de Artes da UNICAMP desde 1991, nas áreas de poéticas do corpo, direção e atuação. Atua principalmente nos seguintes temas: atuação, performance, dança, teatro gestual, dramaturgia de cena e dramaturgia de imagem.

Os artistas referenciados para a criação de Horizonte Submerso aparecem na obra como inspiração para um submundo, um lugar reservado aos sonhos e as lembranças. Por assumir esse caráter, o espetáculo se divide em nove cenas fragmentadas, como quadros que se sobrepõem um ao outro. “Estabelecemos um diálogo entre os três artistas a partir de elementos encontrados em suas obras, como as cabeças bidimensionais sugeridas por McKean, os escritos poéticos do conto Berenice, de Edgar Allan Poe e a obsessiva reflexão sobre instabilidade e equilíbrio no universo em mosaico de Paul Klee”, ressalta Diane Ichimaru.

Os artistas que inspiraram a obra são de gerações e países diferentes, o que reforça a interseção da linguagem criativa produzida por eles, afinal todos estabelecem uma relação entre o real e o fantástico. São também artistas que discutem, em seus trabalhos, os impasses da dualidade, do sarcasmo, da realidade subjetiva e da abordagem sobre o tempo de um modo distorcido e fragmentado, atingindo muitas vezes o inconsciente.

Esta obra foi concebida através do PROAC LAB Nº 48/2020
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Edgar Allan Poe (1809 – 1849) foi um escritor norte-americano conhecido por seus contos sobre mistério, criando um novo gênero e estilo na literatura. Paul Klee (1879 – 1940) foi um artista plástico nascido na Suíça, mas de nacionalidade alemã. Sua obra extrapola os limites dos movimentos artísticos de sua época, dialogando livremente com o expressionismo, cubismo e surrealismo. Já Dave McKean (1963) é um artista contemporâneo inglês, desenhista de quadrinhos, ilustrador, cineasta e músico. Seu trabalho incorpora desenho, pintura, fotografia, colagem digital e escultura.

Horizonte Submerso explora a face oculta da natureza humana, os segredos esquecidos nos fundos das gavetas, os espaços angulosos recortados por luz e sombra. Os criadores-intérpretes adentram aos devaneios e distorções guiados pela pluralidade das obras inspiradoras e pelas possibilidades de intertextualidade entre as mesmas.

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As cenas propõem reflexão em torno de questões como o tempo, a finitude, o equilíbrio, a instabilidade e a gravidade. Desse modo, o trabalho aborda problemáticas universais e extremamente atuais, como dilemas existenciais, a aceitação do contrário, a superação do medo e do desconhecido, o enfrentamento da morte e a convivência mútua entre o consciente e o inconsciente.

Para Diane e Marcelo, integrantes da Confraria da Dança, as colaborações dos dois artistas convidados (Esio Magalhães e Rafael dos Santos) proporcionam uma expansão da força dramatúrgica e do hibridismo entre movimento, palavra e música, características marcantes do repertório do grupo. Isso também contribuiu para que fosse criado um jogo cênico de equilíbrio que traz elementos autobiográficos dos artistas, sobretudo suas lembranças da infância.

“Embebidos em autoironia, confrontamos nossos lados sombrios, sonhos e pesadelos, navegando entre os destroços da memória, avançando para o desconhecido à mercê da fantasia. Compomos nas cenas múltiplas camadas de ressignificação do espaço-tempo, confrontando a objetividade do mundo exterior com o mundo interior e subjetivo que move cada indivíduo”, comenta o criador-intérprete Marcelo Rodrigues.

Ficha Técnica
Criadores-intérpretes: Diane Ichimaru, Esio Magalhães e Marcelo Rodrigues
Composição e execução de trilha musical: Rafael dos Santos
Direção artística e dramaturgia: Diane Ichimaru
Desenho de luz: Marcelo Rodrigues
Operação de luz: Coré Valente
Figurinos, máscaras e adereços: Diane Ichimaru
Costuras: Nice Cardoso
Fotografia: FBarella
Câmeras: Bruno Torato e Thiago Pinheiro
Som direto: Talles Rodrigues
Edição de vídeo: Bruno Torato
Projeto gráfico: Lucas Ichimaru
Assessoria de comunicação: Márcia Marques / Canal Aberto
Produção executiva: Pedro de Freitas / Périplo
Produção e realização: Confraria da Dança

 

 

 

 

 

 

Horizonte Submerso
Temporada: De 29 de novembro de 2021 a 14 de dezembro de 2021
Segundas e terças, às 21h
Acesso: YouTube da Confraria da Dança
Duração: 38 minutos
Classificação indicativa: Livre

Conversa com os criadores do espetáculo mediada por Veronica Fabrini
Dia 30 de novembro, terça-feira, 21h30
Acesso pelo Zoom.
É necessário se inscrever para a atividade por meio deste link 

 

 

Sobre o grupo
A Confraria da Dança está sediada na cidade de Campinas/SP desde 1996 e atualmente celebra 25 anos de atividades relacionadas à pesquisa, criação e produção artística. Honrando o termo “confraria” – conjunto de pessoas que se associam tendo em vista interesses e objetivos comuns – realiza parcerias com artistas das áreas da dança, teatro, música e artes plásticas. Sua atuação artística ocorre, prioritariamente, fora da capital, seus projetos contemplam ações na própria cidade/sede e em outras cidades de pequeno e médio porte do interior do Estado de São Paulo, difundindo a dança através de atividades de formação e fruição artística, traçando um crescimento radial em seu campo de ação junto à comunidade, promovendo acessibilidade comunicacional e atingindo público leigo de todas as idades, estudantes de arte em processo de formação e artistas profissionais. A Confraria da Dança acumula em seu percurso premiações da APCA, da FUNARTE/ MINC, Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, Cultura Inglesa, SESI SP, Itaú Cultural/Rumos Dança.

 

Foto: FBarella

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