Play Beckett Chega aos palcos com direção de Mika Lins

Montagem idealizada pela atriz Simone de Lucia, que está em cena ao lado de Diego Machado e Marcos Suchara, reúne três dramatículos e uma pantomima de Samuel Beckett com estreia no Teatro Aliança Francesa…

 

 

 

 

 

Play Beckett marca a estreia de Mika Lins no universo do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. A atriz e diretora assina a direção da montagem, que chega ao Teatro Aliança Francesa dia 12 de maio, quinta-feira, às 20h. No palco, três dramatículos e uma pantomima – Catástrofe, Improviso de Ohio, Play e Ato Sem Palavras II.

Na sala de ensaio desde janeiro os atores Simone de Lucia – idealizadora do projeto da montagem –, Diego Machado e Marcos Suchara passaram por um processo de leituras, debates e palestras sobre o universo de Beckett e os textos utilizados no espetáculo. Play Beckett traz à cena um grupo de artistas que retoma o trabalho após dois anos de uma pandemia, que os arrancou de suas normalidades, trouxe incertezas, solidão e luto.

Para a diretora Mika Lins, Beckett foi o autor-símbolo da segunda metade do século XX, ao retratar personagens flutuando à deriva, no torpor que se seguiu a Segunda Guerra. “Estamos, agora, saindo atordoados de uma experiência de violência e morte, e a atmosfera social nos remete a um ‘pós-guerra do século XXI’, onde tentamos entender o que sobrou de nós e como podemos continuar. Nesse espírito escolhemos os textos que nos ecoam hoje”, explica ela.

 

Três dramatículos e uma pantomima
Considerada uma das poucas peças em que o contexto político está explícito, Catástrofe apresenta um diretor autoritário que finaliza, junto a sua assistente e ao iluminador, os últimos ajustes de uma cena. A obra foi dedicada ao diretor teatral tcheco Václav Havel, que naquele momento era um prisioneiro político.

Improviso de Ohio apresenta Leitor e Ouvinte, dois homens quase idênticos, que se encontram para compartilhar uma história e atravessar um período de luto. Escrita em 1980 para comemorar o 75º aniversário de Beckett, é a peça inaugural de sua ‘fase fantasma’, onde as personagens em cena são acompanhadas de seus duplos espectrais.

Peça curtíssima, um dramatículo, como o autor caracterizou esse tipo de texto, Improviso de Ohio foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1996 no caderno Mais, da Folha de São Paulo, com tradução de Leyla Perrone-Moisés. E é justamente essa tradução, que Mika Lins escolheu para a sua encenação.

Já Play coloca em cena um homem, sua esposa e sua amante, dentro de suas respectivas sepulturas, de onde podemos ver apenas seus rostos. Um foco de luz determina o momento em que cada um dará sua versão sobre a história que viveram. Considerada a peça mais musical de Beckett, as vozes dos três se entrelaçam formando um coro minuciosamente elaborado.

Na pantomima Ato Sem Palavras II vemos as personagens A e B sendo impelidas a uma rotina idêntica, porém performada de maneira totalmente diversa. Aberta a múltiplas interpretações, a obra tem crescido em relevância desde sua estreia em 1960.

“Com essas peças, voltamos para jogar com Beckett em uma tentativa de nos reencontrarmos pelo teatro, mais uma vez”, acredita Mika Lins.

 

Parque abandonado
A cenografia de Giorgia Massettani traz alusões a um parque abandonado com gramado, um trepa-trepa e alto-falantes. Com referências as criações do estilista Kansai Yamamoto nos anos 80, inclusive com uma réplica, os figurinos de Joana Porto trazem ternos assimétricos e as vezes sem acabamento.

Na iluminação de Caetano Vilela o desafio é reproduzir os desejos de Beckett equilibrando com a liberdade autoral que a encenação propõe, chamando atenção para outras leituras possíveis dos textos. O rigor do autor está presente, a luz como elemento dramatúrgico também. “Beckett é um dos raros dramaturgos que se preocupa com a luz em suas peças como mais um elemento dramatúrgico. É assim, por exemplo, em Play, onde a luz é um ‘quarto ator’ em cena, agindo como um elemento inquisidor, despertando os personagens para justificar as suas ações”, explica o iluminador.

Completam a equipe criativa Edson Secco na concepção da trilha sonora original, Monica Montenegro na preparação vocal e Diogo Granato na preparação corporal.

Ficha Técnica
Autor – Samuel Beckett
Tradutores – Leila Perrone Moises e Rubens Rusche
Direção – Mika Lins. Assistente de Direção – Luana Gouveia
Elenco – Simone de Lucia, Marcos Suchara e Diego Machado
Cenografia – Giorgia Massettani
Figurino – Joana Porto
Iluminação – Caetano Vilela
Assistente de Iluminação – Nicolas Caratori
Trilha Sonora Original – Edson Secco
Preparação Vocal – Monica Montenegro
Preparação Corporal – Diogo Granato
Visagismo – André Malonna
Designer – Marcio Freitas e Thea Severino
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta
Produção – SM Arte Cultura
Direção de Produção – Selene Marinho
Produção Executiva – Marcela Horta
Assistente de Produção – Henrique Pina.

 

 

 

 
Play Beckett
Teatro Aliança Francesa
Rua General Jardim, 182, Vila Buarque
Telefone – (11) 3572-2379.
Capacidade – 226 lugares
Estreia dia 12 de maio, quinta-feira, às 20h
Temporada – De 12 de maio a 26 de junho
Quintas, sextas e sábados às 20h
domingos às 18h
Ingressos – R$ 60,00 (sextas, sábados e domingos) e R$ 20,00 (quintas).
Duração – 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos

 

Sobre Mika Lins
Estreou nos palcos como atriz em 1984 na peça A Casa de Bernarda Alba, com a qual venceu o Prêmio Governador do Estado e foi indicado ao Prêmio Mambembe. No teatro viveu as agruras de ser produtora e protagonista do espetáculo Frida, sobre a pintora mexicana Frida Kahlo, além de trabalhar com diretores teatrais consagrados, como Antônio Abujamra, Zé Celso e Jô Soares. Com o filme norte-americano O Quinto Macaco (direção do francês Eric Rochat) estreou no cinema ao lado de Vera Fischer e Ben Kingsley. Na TV atuou em produções como Chapadão do Bugre, O Canto das Sereias, Os Ossos do Barão, Um Só Coração, Os Ricos Também Choram e Amigas e Rivais. Em 2010 estreia na direção teatral com Dueto para Um e a partir daí, segue em uma bem sucedida carreira de diretora teatral, com os espetáculos Festa no Covil (2013) livro premiado de Juan Pablo Vilalobos; Palavra de Rainha (2015), de Sergio Roveri, pelo qual recebe o Prêmio Qualidade Brasil de melhor direção; A Tartaruga de Darwin (2017), de Juan Mayorca; Tutankaton (2019), texto inédito de Otavio Frias Filho e Pós F (2020), espetáculo de Fernanda Young com Maria Ribeiro. Também realiza algumas incursões pelo audiovisual e dirige com Ricardo Elias o programa de Jorge Forbes Terra Dois, para TV Cultura (o programa recebeu o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA de melhor programa de TV de 2017).

 

Sobre Simone de Lucia
Atriz desde 1981. No teatro estreia em 1987 Assassinato?, dirigido por Darcio Della Monica, no Teatro Ruth Escobar e entre 1992 e 1994, volta a trabalhar com o diretor em A Lenda do Planeta de Cristal, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Em 1996, junto ao Teatro Vento Forte, atua em Lady M, um Ato e Fernando Pessoa por Ele Mesmo. Em 1998, é dirigida por Ricardo Rizzo na comédia de Oscar Wilde A Importância de ser Ernesto. Depois de estudar teatro no Indac, parte para a Argentina para uma especialização no Estúdio Gandolfo (2001), onde apresenta Um Bonde Chamado Desejo, de Tennesse Williams. Entre 2002 e 2004, mora e trabalha em Milão, na Itália, apresentando Nessuno È (2003) e participa da pesquisa para a peça Fausti, adaptação do original de Goethe, ambos com a Compagnia Teatrale Fabrizio Caleffi. Retorna a São Paulo com Pequenas Comédias, de Gorete Milagres e Mondo Cane, Stand Up Comedy de Marcelo Mansfield.

 

Sobre Diego Machado
Formado pelas oficinas Paralela Noir, apresentou os espetáculos H.A.M.L.E.T, A Terra Vista da Lua, Viva La Revolución e Levante. Atuou também na Ópera A Voz Humana, de Francis Poulenc e libreto de Jean Cocteau. Em 2016, participou dos espetáculos Leite Derramado, adaptação da obra de Chico Buarque e O Balcão, de Jean Genet, com a Cia Club Noir. Em 2017, esteve em cartaz com o espetáculo A Tartaruga de Darwin, de Juan Mayorga, com direção de Mika Lins. No cinema e streaming, protagonizou o longa-metragem Eu sou mas Eu, com direção de Fabio Zanoni e participou da série Coisa Mais Linda, que está na segunda temporada na Netflix. Em 2019 fez a leitura encenada de Calígula, com direção de Eric Lenate e em 2021, atuou em Money Dopers, com Direção de Beto Macedo, além das leituras encenadas de Memórias do Subsolo, Louco No Oco Sem Beiras e Porta Retrato, dirigidas por Mika Lins, para o canal virtual do Sesc São Paulo. Atualmente está em cartaz com o Teatro-filme Gaivota, da Cia BR116, com direção de Bete Coelho e Gabriel Fernandes.

 

Sobre Marcos Suchara
Com trajetória marcada pela montagem dos clássicos, em especial Shakespeare, trabalhou intensamente no teatro paulista nos últimos trinta anos, ao lado de grandes diretores, atores e mestres, como Ron Daniels em Hamlet (2012), Ulysses Cruz em Macbeth (1992) e Através de um Espelho (2014); Jô Soares em Ricardo III (2006); Ruy Cortez em Réquiem para o Desejo (2018) e Mika Lins em Dueto Para Um (2010) e Tartaruga de Darwin (2017). Na TV Globo participou de séries e novelas como Mad Maria (2005), Alma Gêmea (2005), O Caçador (2014) e na TV Cultura fez Terra Dois (2017). Por dez anos, foi professor do Indac, Escola de Atores, nas disciplinas de Expressão Corporal e Montagem Teatral (2009-2020). Em 2021, devido à pandemia, realizou diversos trabalhos on-line como Desmontagem – As Três Irmãs e A Semente da Romã com direção de Ruy Cortez e Marina Nogaeva Tenório, e da peça Macbeth com direção de Valéria Marchi. Atualmente realiza o espetáculo Aves da Noite, com direção de Hugo Coelho, apresentado nos canais virtuais dos teatros distritais de São Paulo.

 

Foto Play-Beckett, Simone de Lucia e Marcos Suchara: Afressco

1 comentário em “Play Beckett Chega aos palcos com direção de Mika LinsAdicione o seu →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *